
O
Valor da marca para Empresas e Consumidores
A atual arena competitiva combina uma série de fatos que fazem
as marcas de produtos e serviços assumirem uma importância
nunca vista. A concorrência nunca foi tão intensa e o consumidor
dos dias de hoje nunca teve tantas opções de empresas, produtos
e serviços para escolher. Além de novas alternativas nas
antigas categorias com as quais ele já estava acostumado, existem
dezenas de "novas escolhas" a serem feitas, tais como a marca
de celular, academia de ginástica, canal de TV por assinatura,
operadora de longa distância, barra de cereal, computador, cartucho
para sua impressora etc. São escolhas alinhadas com os novos tempos
e novos hábitos de comportamento. Neste sentido, o tempo passou
a ser fator chave na vida de qualquer pessoa e os processos de escolha
são feitos de maneira cada vez mais rápida. Além
disso, o consumidor está sendo literalmente massacrado por uma
quantidade de informações sem precedentes, sendo que uma
marca forte com alto nível de conhecimento e lembrança torna-se
uma espécie de atalho e porto seguro para o consumidor. Para seu
detentor, esta mesma marca torna-se um importante diferencial competitivo.
Duas outras tendências podem ser acrescentadas a este quadro. Produtos
e serviços tendem a se equivaler do ponto de vista funcional e
tecnológico, assim como as pessoas nunca assumiram tanto suas individualidades.
Por exemplo: quem poderia prever 10 anos atrás uma parada gay na
Avenida Paulista com 2 milhões de pessoas, e outra de evangélicos
praticamente da mesma dimensão apenas dias antes. Neste mundo saturado
de escolhas e informação, os consumidores, também
querem marcas que compreendam suas individualidades, que lhes permitam,
de algum modo, expressar suas emoções.
Enganam-se aqueles que pensam que o consumidor quer apenas preço
baixo. Erram as empresas que abandonam o processo de construção
de suas marcas para investir apenas em questionáveis ações
promocionais de curto prazo. Na realidade, o consumidor de hoje quer um
bom produto ou serviço e uma marca que atenda também suas
necessidades emocionais, a um "preço justo". Cabe a cada
empresário construir uma marca forte que faça com que este
"preço justo" atenda também a seus objetivos de
rentabilidade.
Embora existam atualmente diversos modelos para avaliação
da força de uma marca, todos os modelos passam de alguma maneira
por duas dimensões fundamentais: conhecimento de marca e capacidade
de diferenciação. Ou seja, em primeiro lugar, uma marca
forte deve ser facilmente lembrada ou reconhecida. Em segundo lugar, uma
marca forte deve ter uma capacidade de diferenciação que
agregue valor aos produtos/ser-viços na categoria onde atua, gerando
resultados, tais como maiores vendas e fidelidade.
As
modernas práticas de branding, entendidas como o conjunto de atividades
executadas por uma organização para construir e manter marcas
fortes, ainda são de conhecimento relativamente restrito e recente
no mercado brasileiro, mas perseguir este objetivo é preciso e
possível.
Marcos Machado é Presidente do Comitê de
Branding da ABA-Associação Brasileira de Anunciantes, Co-autor
da edição brasileira de Gestão Estratégica
da Marca (Strategic Brand Management de Kevin Keller), Professor de Branding
no MBA da ESPM e Sócio-Diretor da Top Brands Consultoria e Gestão
de Marcas.
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